Segundo pesquisas recentes, as alergias atingem 30% a 35% dos brasileiros. Também chamada de reação de hipersensibilidade, a alergia é uma resposta exagerada do sistema de defesa quando o organismo é exposto a uma determinada substância estranha. Essa reação ocorre em pessoas predispostas geneticamente e que já tenham sido sensibilizadas previamente por aquele agente.
As alergias resultam de uma combinação da bagagem genética individual, que torna o organismo de algumas pessoas mais sensível, com fatores agressivos presentes no ambiente, chamados alérgenos. Os mais comuns estão dentro do próprio domicílio. São os ácaros encontrados na poeira, restos e fezes de baratas, mofo, pêlos de animais domésticos, fumaça de cigarro, pólen e esporos de fungos, além de certos alimentos, medicamentos e produtos químicos.
Quando uma pessoa alérgica entra em contato com algum desses agentes, seu sistema de defesa reage de forma exagerada, produzindo os sintomas desconfortáveis das alergias.
No período do inverno as mudanças do clima favorecem as crises respiratórias - a asma, inclusive. O tempo mais seco diminui as secreções e as defesas que guardam as vias aéreas, deixando-as mais vulneráveis aos agentes que desencadeiam as alergias. O frio e o fenômeno das inversões térmicas também dificultam a dispersão dos poluentes do ar, outro fator agressivo para os alérgicos. Além disso, as pessoas tendem a passar mais tempo em locais fechados e com maior aglomeração, o que facilita o contato com os alérgenos.
Os sintomas mais frequentes das alergias respiratórias incluem espirros constantes, coriza, sensação de nariz entupido ou de "cabeça pesada", coceira nos olhos, no nariz, no céu da boca e na garganta. Já nas crises de asma, os pacientes têm "chiado", tosse, falta de ar, sensação de "aperto" no peito e cansaço. O incômodo é maior, sobretudo, à noite ou ao acordar e tende a piorar com esforço físico.
No verão as alergias respiratórias tendem a melhorar com o tempo mais firme e melhor umidade do ar, porém aparecem neste período as alergias cutâneas e as de contato por substâncias usadas para a prevenção dos efeitos do sol. São comuns aqui as urticárias e as dermatites.
Uma das doenças alérgicas mais preocupantes é a asma brônquica, que já atinge uma de cada quatro crianças na faixa dos 6 aos 14 anos, conforme um estudo internacional (ISAAC) concluído em 1998 e confirmado em 2003 e 2006 com publicação internacional no Lancet. Os casos mais graves geram 350 mil internações por ano no País e gastos da ordem de R$ 76 milhões para o Sistema Único de Saúde. Sem contar que a mortalidade por asma dobrou nos últimos 30 anos. Uma das principais formas de deter as crises é fazer o tratamento preventivo, sob a orientação médica. Outro cuidado fundamental é manter os ambientes limpos, livres de ácaros e poeira: encape colchões e travesseiros com tecidos impermeáveis; use pano úmido e produtos que eliminem o mofo no chão e nas paredes; remova tapetes, cortinas e bichinhos de pelúcia; deixe os ambientes ventilados e iluminados pelo sol. E - muito importante - não permita cigarro em locais fechados e perto de crianças.
Você sabia que...
Medidas para prevenir as alergias respiratórias e a asma
Autor: Dr. Ataualpa P. dos Reis - Médico alergologista titulado pela Associação Brasileira de Alergia e Imunopatologia, professor de pós-graduação convidado da UFMG e Santa Casa de Belo Horizonte
Fonte: tudosobreasma.worpress
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