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ALEITAMENTO MATERNO: realidade brasileira ainda está distante do ideal

Todos sabem que leite materno é o alimento ideal para bebês.  A Organização Mundial de Saúde (OMS) e outras entidades recomendam que as crianças sejam nutridas exclusivamente com o leite materno até os 6 meses de idade, e somente mais tarde ocorra introdução gradual de outros líquidos e novos alimentos na dieta, para evitar doenças infecciosas como a diarreia e alergias a alimentos. 

De acordo com a 2ª. Pesquisa de Prevalência de Aleitamento Materno nas capitais brasileiras e no Distrito Federal, realizada pelo Ministério da Saúde, houve aumento da proporção de bebês menores de 4 meses em aleitamento materno exclusivo, passando de 35,5% em 1999 para 51,2% em 2008. Entretanto, o estudo aponta que o panorama da alimentação das crianças brasileiras menores de um ano continua insatisfatório.

Dentre os menores de 6 meses de idade, apenas 41% recebem exclusivamente o leite materno. Há grande variação regional desse índice, sendo 27,1% em Cuiabá, 39,1% em São Paulo e 56,1% em Belém. Mães com maior grau de escolaridade, idade entre 20 e 35 anos e que gozam de licença maternidade têm maior probabilidade de aderir ao aleitamento materno exclusivo. Contrariando as recomendações da OMS, o aleitamento materno exclusivo costuma durar menos de dois meses, e grande parte das crianças é desmamada antes de completar um ano, o que é considerado ruim.

Outro dado preocupante é que já no primeiro mês de vida 13,8% dos bebês recebem água, chás e outros líquidos, especialmente nas capitais nordestinas, e 18% recebem leite de vaca, cabra ou outras espécies animais.

Além disso, 21% dos bebês entre 3 e 6 meses de idade já experimentaram comida salgada, indicando uma introdução muito precoce de alimentos na dieta - muitas vezes com teor exagerado de sal e gorduras -, antes mesmo que a criança tenha plena capacidade de digeri-los. Dos 9 aos 12 meses de idade um número elevado de crianças recebe alimentos inadequados na dieta: 8,7% tomam café, 11,6% tomam refrigerantes e 71,7% comem bolachas e salgadinhos, ficando expostas aos riscos da ingestão de corantes artificiais, conservantes e outros aditivos químicos presentes nos alimentos industrializados. Em Porto Alegre foi registrado o maior índice de crianças de 6 a 9 meses às quais se oferecem bolachas: 57,9%. Esses maus hábitos alimentares tendem a permanecer, contribuindo para a explosão do número de casos de obesidade infantil.

A pesquisa aponta, também, que 58% das crianças menores de um ano usam a mamadeira. Embora o uso da chupeta nessa faixa etária tenha diminuído de 57,7% em 1999 para 42,6% em 2008, ainda assim permanece elevado. É importante lembrar que os bicos artificiais da chupeta e mamadeira atrapalham o mecanismo de sucção e aumentam o risco de infecções.

Diante disso, é essencial que os meios de comunicação e os profissionais de saúde atuem para conscientizar as mães da importância do aleitamento materno exclusivo até os 6 meses e do cuidado na escolha e preparo dos alimentos que serão oferecidos às crianças maiores. Para melhorar a saúde de nossas crianças, não basta ter essas informações; é preciso torná-las realidade.   

Dra. Aracy P. S. Balbani é médica otorrinolaringologista. CRM-SP 81.725.

Fonte: Itapedigital.com.br

 

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